Notícia publicada por Opinando sin anestesia
A Dra. Diana López Freire é uma renomada Ginecologista em Vigo que possui quase vinte anos de experiência profissional. Atualmente, ele faz parte da equipe profissional da Hospital Ribera Povisaonde ele se especializa em menopausa, ondas de calor, exame ginecológico o colposcopia, Entre outros.
Ela se formou em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Santiago de Compostela e se especializou em Ginecologia e Obstetrícia durante sua residência no Institut Dexeus, em Barcelona. Concluiu também o doutorado, obteve acreditação em colposcopia pela AEPCC (Associação Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia), certificação de nível I em terapia a laser vulvovaginal pela SEGO (Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia) e especialização em diagnóstico diferencial de tumores ovarianos por ultrassonografia pela Universidade de Navarra. Ao longo de sua carreira, participou de cursos, congressos e seminários em sua especialidade, além de ter escrito capítulos de livros e publicações científicas e conduzido pesquisas em diversos estudos no Hospital San Carlos, em Madri.
Hoje, ele atende seus pacientes no Hospital Ribera Povisa Natural de Vigo. Anteriormente, trabalhou em diversos hospitais e centros médicos privados em Vigo e Madrid, bem como no Chile e na Guiné Equatorial.
Há alguns dias, foi realizada uma mesa-redonda sobre o papilomavírus humano (HPV) no Hospital Ribera Povisa, abordando os últimos avanços em tratamento, prevenção e rastreamento. Quais foram as conclusões dessa mesa-redonda?
Responda.- A reunião sobre HPV abordou o novo programa de rastreio populacional do cancro do colo do útero utilizando testes de HPV, os desafios na sua implementação e o aumento da procura de serviços e procedimentos de saúde, como a colposcopia. No que diz respeito ao aspeto diagnóstico da doença, foi também destacada a dificuldade em determinar o risco de progressão para cancro do colo do útero, uma vez que este risco não depende exclusivamente do tipo específico de HPV presente nas lesões.
Um aspecto inegavelmente importante foi a abordagem da prevenção primária do câncer do colo do útero por meio da vacinação contra o vírus. Além da população incluída no calendário de vacinação e dos grupos de alto risco cobertos por financiamento público, discutiu-se a importância de informar todas as mulheres sobre os benefícios da vacinação e de fornecer recomendações individualizadas para as mulheres e seus parceiros.
Por fim, discutiu-se o número de doses necessárias para a vacinação completa. Observou-se que o número de doses varia conforme a faixa etária; para mulheres e homens não incluídos no calendário de vacinação e que não pertencem aos grupos de risco estabelecidos pelo sistema público de saúde, são necessárias três doses para a vacinação completa.
O que é o papilomavírus humano e como ele afeta as mulheres?
Responda.- O HPV é um grupo de mais de 200 tipos de vírus, dos quais cerca de 40 podem infectar as membranas mucosas genitais (colo do útero, vagina e vulva), anais e orofaríngeas de mulheres e homens.
É transmitida principalmente por contato sexual e é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns em pessoas sexualmente ativas.
Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV é transitória, não causa sintomas e é eliminada pelo sistema imunológico sem tratamento em meses ou anos. No entanto, em 10 a 15% dos casos, a infecção é persistente e pode causar lesões.
A área mais frequentemente afetada é o colo do útero. As alterações iniciais são conhecidas como lesões pré-malignas de baixo grau, que podem progredir para lesões de alto grau. Se não forem detectadas e tratadas, podem evoluir para câncer do colo do útero.
O HPV (tipos 6 e 11) também é responsável por condilomas ou verrugas genitais e papilomatose laríngea recorrente, que afeta recém-nascidos infectados no canal vaginal.
Como podemos evitar isso?
Responda.- A prevenção baseia-se em 3 pilares:
- A vacinação contra o HPV é a medida mais eficaz. Ela protege contra os tipos de HPV que causam a maioria dos cânceres do colo do útero e também verrugas genitais.
- Rastreio do cancro do colo do útero com deteção do HPV ou citologia (dependendo da idade).
- Uso de preservativos durante a relação sexual.
A urologia feminina ganhou relevância nos últimos anos. Quais avanços você destacaria no tratamento da incontinência e do assoalho pélvico?
Responda.- A incontinência urinária e os problemas do assoalho pélvico são condições extremamente comuns, especialmente após o parto e a menopausa, e afetam gravemente a qualidade de vida.
Durante anos, esses foram temas com pouca visibilidade, mas hoje a urologia feminina experimentou avanços importantes.
Podemos mencionar tratamentos comuns:
- A reabilitação é feita através de exercícios do assoalho pélvico orientados por fisioterapeutas especializados, parteiras ou até mesmo por dispositivos e aplicativos móveis que auxiliam na execução correta dos exercícios em casa.
- Tratamento medicamentoso para bexiga hiperativa ou urgência urinária.
- Neuromodulação (nervos sacrais e tibiais posteriores): Consiste na estimulação dos nervos que controlam a bexiga por meio de um dispositivo, auxiliando na regulação de sua função. É utilizada em casos de incontinência de urgência ou bexiga hiperativa.
- Novas técnicas cirúrgicas mais simples para incontinência urinária de esforço (IUE), como bandas livres de tensão ou minislings e cirurgias de prolapso por via vaginal, laparoscópica ou robótica, com intervenções mais precisas, incisões menores e menor risco de recorrência do que algumas técnicas clássicas.
Mas talvez a mudança mais importante não seja tecnológica, mas conceitual: hoje o tratamento do assoalho pélvico é multidisciplinar; urologistas, ginecologistas, fisioterapeutas e enfermeiros atuam em conjunto para oferecer uma abordagem coordenada e personalizada.
Qual o papel da fisioterapia e de uma abordagem multidisciplinar nesses casos?
Responda.- Ambos são fundamentais para o sucesso do tratamento.
A fisioterapia consiste na realização de exercícios específicos para fortalecer os músculos do assoalho pélvico e controlar a pressão abdominal; biofeedback para verificar a execução correta e educação postural.
A abordagem multidisciplinar envolve a colaboração entre fisioterapeutas, ginecologistas, urologistas, enfermeiros e até psicólogos, permitindo abordar todos os aspectos da incontinência urinária e dos problemas do assoalho pélvico, desde o diagnóstico e tratamento até a reabilitação física e o apoio emocional.
A isso devemos acrescentar ações voltadas para o controle de peso, visto que a obesidade é um fator de risco determinante tanto para o prolapso quanto para a incontinência urinária.
Numerosos estudos científicos demonstraram que uma abordagem multidisciplinar melhora a função do assoalho pélvico e reduz significativamente os sintomas de incontinência urinária. A combinação de fisioterapia, terapia cognitivo-comportamental, cirurgia quando necessária e tratamentos farmacológicos oferece melhores resultados do que qualquer um desses tratamentos isoladamente.
Houve algum avanço recente em cirurgia minimamente invasiva, robótica e inteligência artificial aplicadas à urologia funcional feminina?
Responda.- Nos últimos anos, houve avanços significativos, passando de técnicas abertas para abordagens minimamente invasivas, laparoscópicas e robóticas, e atualmente com o apoio da inteligência artificial.
Dentre esses avanços, destaca-se a sacrocolpopexia laparoscópica ou robótica para prolapso apical, oferecendo menos sangramento, menos dor e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta.
Em cirurgia de incontinência:
- Faixas sem tensão (TOT) ou mini-faixa para IUE.
- Injeção de hidrogel na uretra com duração de anos.
- Infiltração de Botox no músculo detrusor para incontinência de urgência e bexiga hiperativa.
A inteligência artificial parece demonstrar utilidade no diagnóstico e planejamento cirúrgico, analisando estudos urodinâmicos complexos e dados funcionais, aprimorando o diagnóstico e ajudando a prever a resposta às terapias.
Que mensagem você transmitiria às instituições de saúde para melhorar o atendimento urológico às mulheres?
Responda.- A incontinência urinária afeta 1 em cada 5 mulheres entre os 30 e os 50 anos, aumentando com a idade para mais de 80% nas mulheres com mais de 85 anos.
Isso tem um grande impacto na qualidade de vida, limitando as atividades diárias e de trabalho, causando isolamento social, vergonha e afetando a autoestima e a sexualidade.
A proposta é estabelecer um padrão de atendimento semelhante ao de triagem na atenção primária e criar unidades multidisciplinares para uma abordagem mais eficaz e precisa.
Como a percepção social da urologia feminina está mudando graças à educação médica?
Responda.- Historicamente, a incontinência urinária em mulheres tem sido subdiagnosticada devido à vergonha e à "normalização" do problema.
A educação médica é essencial: uma mulher bem informada reconhece os sintomas mais cedo e procura aconselhamento médico.
De que forma a idade, o parto ou a menopausa influenciam o desenvolvimento de patologias urológicas?
Responda.- A idade, a gravidez/parto e a menopausa influenciam negativamente o sistema urinário.
Devido à diminuição hormonal após a menopausa, ocorrem danos anatômicos nos sistemas de sustentação (músculos e ligamentos) e alterações atróficas, gerando urgência, frequência urinária, disúria e infecções recorrentes (síndrome geniturinária da menopausa).
O tratamento hormonal vaginal e o ospemifeno demonstraram melhorar o trofismo e a elasticidade dos tecidos, sendo mais eficazes quanto mais cedo o tratamento for iniciado.
Para concluir… Em um nível mais pessoal, o que a medicina lhe ensinou sobre a fragilidade e a força humanas?
Responda.- Ambas coexistem no mesmo paciente. Após o diagnóstico, surge a vulnerabilidade, mas também a força, a aceitação e a vontade de lutar.
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